A vida que a gente quer precisa caber na vida que a gente tem.
Por Tatiane Meyer
Quantas vezes você parou, olhou para o lado e percebeu que estava focando justamente naquilo que lhe falta?
Coisas que talvez você nunca tivesse imaginado para a sua realidade, mas que, ao observar o jardim do outro — florido, cheio de rosas e árvores frutíferas — parecem um sonho possível apenas para alguém.
Isso tem acontecido cada vez mais, principalmente quando chegamos a uma fase da vida em que o trabalho já está estável, a aposentadoria se aproxima, os filhos cresceram e seguem seus próprios caminhos. Em teoria, já não deveria haver tanto espaço para preocupações sobre aquilo que está fora do nosso controle.
É justamente nesse momento que somos convidados a olhar para o nosso próprio jardim e encarar a realidade: o que construímos até aqui?
E aí, qual é a sensação?
- Não fiz o suficiente?
- Vivi até aqui para os outros?
- O que eu fiz pelo meu próprio jardim?
É nesse momento que começam a surgir inúmeras ideias:
“E se eu começasse um novo esporte?”
“E se eu mudasse de carreira?”
“E se eu fosse morar em outro país?”
Porque, olhando a vida lá fora ou melhor, os recortes da vida que nos são mostrados, parece que todo mundo já tem uma grama mais verde e um jardim muito mais florido do que o nosso.
Mas a realidade é outra.
A grama que você vê é a versão editada da vida do outro. E não faz sentido compará-la com a sua vida, que você conhece por inteiro, sem filtros e sem edição.
A sua caminhada é única.
E, quando você passa tempo demais olhando para o lado, perde a oportunidade de perceber o quanto já cresceu. Desvia o foco das suas próprias conquistas.
Sabe por quê?
Porque a comparação nos faz perder a capacidade de enxergar onde estamos.
Passamos a olhar apenas para onde o outro chegou. Mas sobre a vida dele você não conhece a história inteira. Você vê apenas um capítulo e, muitas vezes, o mais bonito.
Então, hoje, faça um convite a si mesmo.
Olhe para a sua história. Reconheça tudo o que você construiu até aqui. E pergunte-se:
O que eu posso fazer, dentro da minha realidade, para deixar o meu jardim tão bonito quanto eu desejo?
Porque a vida que a gente quer precisa, antes de tudo, caber na vida que a gente tem.
Combinado?
